quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

HISTÓRIA E CULTURA NKANGA


RITOS DE ANGOLA
'Nosso objetivo precípuo é facilitar o intercâmbio de informação, democratizando o conhecimento e possibilitando o debate em torno da tradição afro-bantu, bem como vislumbrar a integração das comunidades de origem africana, porém, sempre respeitando símbolos, mitos e tradições, traduzindo as experiências mais fundamentais da existência humana e da concepção cosmogênica de mundo'


História e Cultura: Nkanda
Traduzido por Mam’etu Ndanda Dalu(*)
 

Yaka, Zombo, Nkanuos Zombo, Nkanu e Yaka vivem ‘fechados’ entre eles na altura das montanhas do Sudoeste do Congo e Nordeste do Angola
A divindade suprema, Nzambi Mpungu, é como o ápice da religião de Congo. Nessa hierarquia inclui-se os espíritos dos ancestrais(Bakulu), espíritos de pessoas que tenham habitado o lugar (bankita, bisimbi, matebo) e forças impessoais(minkisi).

Dentro das comunidades, ‘curadores’ naturais, adivinhos(que descobrem água debaixo da terra) e feitiçeiros, usam objetos ‘mortos’ do poder para manipular poderes metafísicos de outros objetos e restaurar a saúde de seus companheiros.

O Nkanda é um ritual importante. Um rito de passagem obrigatória para todo garoto adolescente, o nkanda os prepara psicologicamente e mentalmente para às ‘questões’ que o esperam na vida adulta em sua comunidade. A iniciação inclui o ensinamento de dons, enigmas, canções e dança, tal como uma congregação de ética e aceitamento do seu povo.


Todas as máscaras no Nkanda são usadas durante um ritual de encerramento. Elas asseguram sem problemas a fase crucial, durante a qual os garotos são ‘esquecidos’ pela comunidade, e depois ritualmente renascidos. As máscaras são geralmente entalhadas levemente em madeira clara e seu acabamento é colorido.O nome ‘Kisokolo’ pode ser ligado aos Chokwe pela palavra ‘chisokolu’, uma ramificação de grupo de caçadores com destaque para a ligação com amuletos. O nariz ‘pontudo’ nas máscaras desse tipo é frequentemente tratado como um símbolo do órgão sexual masculino. Ele pode ter um uso funcional. Os iniciantes têm que morder um pedaço de pão de mandioca e carne de bode que vem do ‘nariz’ dessa máscara, que é feita para esse propósito. A parte escura que aparece na testa, na bochecha e termina na área do nariz representa o conhecimento em escarificação (ato de fazer incisões, abrir a terra) pelo Nkanu, o qual provavelmente também está entre a comunidade.
A máscara tem a face “esbranquiçada” com um ‘pedaço’ escuro e chifres, os quais são representados por ‘armas’ levantadas de um dançarino expressando sua alegria. A parte da pele de lontra (mfuki) fica entre os chifres representando a cor ou o desenho.
A face branca e as linhas abaixo dos olhos são um sinal do tradicionalismo do clã e poder do líder. Ambos são significados para proteger o líder quando ele entra em contato com os ancestrais.

Povo de Zombo


Essa máscara grosseira de madeira é conhecida entre os Zombo como ‘Nkoso’ e entre Nkanu como ‘Kamatzala’. ‘Kamatzala’ pode ser traduzida como ‘Senhor das Penas’. Essa máscara é feita através de uma abóbora pardida ao meio, talvez cortada com um fio de barbante. Os olhos são feitos dos pedaços da abóbora e as penas são inseridas nas filas de barbante que ficam dentro dela. Essa máscara é usada por um iniciado idoso, sua tarefa é acompanhar os iniciados quando eles deixam o campo do Nkanda para ir ao rio ou à aldeia roubar comida. Como um pássaro, esse tipo de máscara significa a capacidade de cruzar fronteiras (vilas, aldeias, savanas e florestas).

Máscara Hemba


Essa máscara ‘HEMBA’ foi achada no Zombo e combina com um capacete em cima da cabeça do dançarino. O penteado em formato de planta é aparentemente comum nos estilos de corte de cabelo no Zombo, é também achado na escultura de madeira dos Nkanu, Mbeko, Ntandu, Lula, Yaka, Teke e grupos relatados.


(*) Barbara Barretto é graduada em Ciência da Computação, iniciada por Jiboin d’Nzambi e hoje pertence ao Terreiro Tumbalê Junçara, digirido por Tata Talamonakô.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

COMÉRCIO DE NEGROS


HISTÓRIA E CULTURA BANTU
Ritos de Angola

História e Cultura: O Comércio dos Negros
Colaboração de Kwzola dya Nzambi 
– revisado por Mam’etu  Nibojí 
Os negros eram vendidos por seus sobás (chefes de tribos africanas) aos portugueses, e trazidos para o Brasil, principalmente para as regiões de Pernambuco e Bahia, até meados do séc. XVII; e no inicio do século XVIII seus maiores compradores passaram a ser o Rio de Janeiro e Salvador, e ainda neste mesmo século foram introduzidos nas regiões cafeeiras do Pará e do Maranhão e logo para o sul do Brasil; muitos destes deslocamentos eram feitos a pé, de um estado para o outro.
O grupo mais importante introduzido no Brasil foi o sudanês, que dos mercados de salvador, se espalhou pelo país, deste grupo a etnia mais notável foram os yorubás ou nagôs, da Nigéria, e os Jêjes do Daomé, seguindo-se os minas da costa norte-guineana, além dos tapás, bornus, galinhas, hauças, fulas ou fulanis e os malês ou mandingas. Esta presença comum dos grupos de idioma yorubá explica a maior influencia desta cultura principalmente nos segmentos religiosos. Dentro da própria África, a cultura yorubá predominava do Golfo da Guiné ao Sudão; tinham uma civilização adiantada, os costumes sociais, a organização política e a religião serviam de modelo a muitos outros povos. Os yorubás dominavam bem a agricultura, aliás, boa parte do que sabemos sobre agricultura tropical e sobre o pastoreio extensivo do gado, devemos ao povo africano, que dominava também a lida com o ferro e a produção de um aço de alta qualidade, o artesanato em cobre, madeira e as técnicas de mineração do ouro. É preciso saber que, antes da descoberta do ouro no Peru, no México e no Brasil, sobretudo o grosso do ouro que alimentava o sistema financeiro Europeu, Árabe e Islâmico vinha da África, principalmente de Burê, Bambuc, do País Ashanti, Sofala e Zimbábue, a África era o grande centro produtor de ouro.
Os bantos de Angola tinham técnicas mais primitivas de agricultura praticadas por mulheres, e os homens criavam gado, e se vestiam com cascas de árvores, já na parte sudoeste, usavam vestimentas de couro e mantinham hábitos de caçadores e usavam armas de ferro; banto é uma família lingüística, ao qual faziam parte, também, os negros do Congo, Guiné e Moçambique; também faziam parte deste grupo os cabindas, benguelas, macuias e angicos. Por não terem nações identificadas e serem misturados de maneira aleatória, os bantos tiveram dificuldades de se integrar culturalmente. Alguns, escravos selecionados pelos senhores de terra, desempenhavam tarefas domésticas, e deste contato próximo, no interior da casa-grande, entre negros bantos e a elite branca que começou a se formar o sincretismo de raças, culturas e idiomas. Muitos hábitos, costumes, linguagem e alimentos do Brasil contemporâneo origina-se na cultura banto.
O negro não apenas povoou o Brasil, mas também contribuiu com o crescimento econômico, com as diversas matrizes culturais que serviram como fonte de desenvolvimento para o nosso país. Em 1830 se faz a proibição do tráfico de escravos no Brasil, porém esta proibição só pega em 1850, e a partir de 1852, não desembarcam mais escravos no Brasil; o último navio negreiro vindo para o país é uma corveta americana que é aprisionada em águas brasileiras; e aí começa haver um tráfico interno no Brasil, os negros começam a serem vendidos para o sul do país, para serem mão de obra na plantação de café; então há um relativo esvaziamento da escravatura no norte e uma grande marcha em direção ao sul; este foi um tráfico pouco estudado, mas extremamente feroz, violento, difícil.
O número de africanos introduzidos no Brasil durante o período superior a três séculos, em que houve a realização do tráfico, estima-se um total de 6.700.000 entrados no Brasil do séc. XVI ao XIX. De uma forma geral o negro era muito mal tratado, as senzalas eram constituídas Por uma serie de barracões, pequenos e abafados, com uma só porta e sem janelas, com chão de terra batida, que servia de lugar para dormir; a alimentação era racionada e geralmente eram servidos de feijão, farinha de mandioca e um pedaço de carne seca. Qualquer erro era cobrado com os mais severos castigos, desde a palmatória às chicotadas, que deixavam as costas e nádegas dos negros em carne viva, e ainda colocavam, nas feridas, montes de sal para que a dor se prolongasse por dias, para não ser esquecido o castigo recebido. Por esses motivos e muito mais, logo no inicio do século XVII, cerca de quarenta escravos fugitivos dos engenhos de Pernambuco, chegaram à serra da Barriga. Uma região de solo fértil, com extensas palmeiras; seus novos habitantes por isso deram o nome ao lugar de Palmares. A população dos Palmares, inicialmente era composta de escravos masculinos. Com o decorrer do tempo a aldeia começou a crescer; já havia criação de animais, lavraram-se campos, plantaram milho, feijão e mandioca, que passou a constituir a sua alimentação, além da criação de aves e porcos.
Com o crescimento da aldeia, já com a presença das mulheres, Palmares se transformou no quilombo mais importante da história da escravidão no país. As aldeias eram distanciadas umas das outras, tinham vidas independente, com chefes próprios, a principio estes chefes haviam pertencido à nobreza na África. Seus principais lideres foram Ganga Zuma e Ganga Zona, chefes das aldeias mais importantes, eram tios daquele que mais tarde se tornou o maior chefe dos Palmares, o negro guerreiro chamado Zumbi.
Várias expedições foram organizadas, durante anos, contra Palmares, todas sem sucesso. Palmares torna-se o centro de resistência contra a escravatura, em pleno séc. XVII, os negros eram considerados livres neste local. Outras expedições foram organizadas contra Palmares, e aos poucos iam enfraquecendo os quilombos, mas, apesar de já estarem com menos poder, os negros, chefiados por Zumbi, continuam a fazer frente aos ataques inimigos.
Finalmente em seis de fevereiro de 1694, ajudados pelos canhões, os soldados abriram caminho, encurralando os negros contra um precipício. Mesmo ferido Zumbi consegue fugir e só foi aprisionado quase dois anos depois quando um negro, preso no caminho de Recife, em troca da vida, indicou o lugar onde o líder Zumbi estava. No dia vinte de novembro de 1695, Zumbi foi morto, teve sua cabeça decepada, e levada para Recife, por seu algoz, André furtado de Mendonça. O quilombo dos Palmares, embora tenha sido o mais importante, não foi o único; no séc. XVIII, formaram-se quilombos no Maranhão, em Minas Gerais, às margens do rio das Mortes e em Araxá, todos destruídos. Em 1807, a Inglaterra aboliu seu tráfico de escravos, e passou a reprimir o tráfico de outros países, inclusive Portugal. Para reconhecer a independência do Brasil à coroa inglesa exigiu o fim do comércio de escravos, e o Brasil assinou um acordo em 1827, comprometendo-se a acabar com o tráfico de escravos, mas esse acordo não foi cumprido, e o tráfico continuou até 1850. O movimento abolicionista foi crescendo e depois de várias leis paliativas, finalmente foi promulgada a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.


(*) Rosário Fernandes é formada em naturalismo e medicinas orientais pelo Stonebridge Associated Colleges da Inglaterra, pesquisadora de medicinas tradicionais antigas, atuante na área de medicinas complementares.

(**) Elizabeth B.Azevedo é graduada em Ciências Econômicas e pós-graduada em Matemática Financeira. Iniciada no candomblé em 1986, filha de Danguesu, neta de Saralandu, bisneta de Kianvulu e atualmente filha do Tumbalê Junçara-BA.



HUNKPAME


Hunkpame é um templo ou convento dedicado ao culto vodun. Hunkpame significa, literalmente, o lugar onde está dentro a divindade (hun). É chefiado por um sacerdote ou sacerdotisa-chefe residente à frente de uma quantidade de auxiliares fixos que aumentam nas ocasiões de culto e iniciações. Os neófitos chegam a viver quase um ano no hunkpame até que atinjam a condição de vodunsis e suas respectivas famílias os venham resgatar simbolicamente.

Dentro do Hunkpame se fala uma ou mais línguas sagradas especiais, o hungbê, que variam de acordo com o vodun principal que é ali cultuado. O hungbê se compõe do próprio fon e seus dialetos mesclado com idiomas vizinhos como o guen (mina), o nagô (iorubá), baribá, etc. e existe um grande tabu em se expressar em hungbê fora do hunkpame.

O espaço sagrado, este grande sítio, ou grande fazenda onde fica o Kwe chama-se Hunkpame, que quer dizer "fazenda" na língua Ewe-Fon. Sendo assim, a casa chama-se Kwe e o local onde fica situado o candomblé, Hunkpame.

Disponível sob CC BY-SA 3.0

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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

VOODOO / VODÚ


Vodu

Vodun ou Vodoun (ortografia Beninense; Vodun / Vodum no Brasil; Vodou, Vaudou ou outras ortografias foneticamente equivalentes no Haiti; Vodu ou Vudu). Em português aplica-se aos ramos de uma tradição religiosa teísta-animista baseada nos ancestrais, que tem as suas raízes primárias entre os povos Ewe-Fon da África Ocidental, no país hoje chamado Benin, anteriormente Reino do Daomé, onde o vodun é hoje em dia a religião nacional de mais de 7 milhões de pessoas. Além da tradição fon, ou do Daomé, que permaneceu na África, existem tradições relacionadas que lançaram raízes no Novo Mundo durante a época do tráfico transatlântico
África 
Vodou área original - línguas gbe.
Vodun da África Ocidental é chamado Vodun ou Vudun (assim escritas na língua fon do Benin e da Nigéria e na língua ewe do Togo e Gana; também escritas Vodon, Vodoun, Voudou, etc) é uma religião monoteísta tradicional da costa da África Ocidental, da Nigéria a Gana. É distinta das não-organizadas religiões animistas tradicionais, do interior desses mesmos países, bem como de diversas religiões muitas vezes com nomes semelhantes da diáspora africana no Novo Mundo, como o Vodou Haitiano, e semelhante ao Vudu da República Dominicana, Candomblé Jeje no Brasil (que utiliza o termo Vodum), Voodoo da Louisiana, e Santería em Cuba, que são sincretizadas com o Cristianismo e as Religiões tradicionais africanas do povo Congo, do rio Congo,do Pernambuco e de Angola.
Quando a palavra é maiúscula, Vodun, denota a religião. Quando não é, vodun, denota os espíritos que são centrais para a religião. "Voodoo" é o mais comum na ortografia da cultura popular americana.
Vodun é praticado pelos Ewe, Kabye, Mina, Fon, e (com um nome diferente) os povos Yorubas do sudeste do Gana, meridional e central Togo, meridional e central Benin, e sudoeste da Nigéria. A palavra vodún (pronunciado vodṹ - ou seja, com um u nasal em um tom alto) é o Gbe (Ewe-Fon) para a palavra espírito. Além do mais, este tal condinome, como podemos chamar, aparece em várias músicas, tais como: Voodoo Child, do cantor e guitarrista Jimi Hendrix, entre outras locais, mais encontradas na América Central.
Demografia 
Dos 60% da população do Benin, cerca de 4 ½ milhões de pessoas, praticam Vodun. (Isso não conta outras religiões tradicionais no Benim.) Além disso, muitos dos 15% da população que denominam-se cristãos pratica uma religião sincretizada, não diferente do Vodou haitiano ou Candomblé brasileiro; na verdade, muitos deles são descendentes de escravos libertos brasileiros que se fixaram na costa perto de Ouidah. Em Togo, cerca de metade da população indígena prática religiões, dos quais Vodun é de longe a maior, com cerca de 2 ½ milhões de seguidores; pode haver outros milhões de vodunsis entre os ewés de Gana: 13% da população de 20 milhões são ewe e de 38% de ganenses praticam religiões tradicionais. De acordo com o censo de dados, cerca de 14 milhões de pessoas prática religiões tradicionais na Nigéria, a maioria dos quais são iorubás praticando Vodun, é possível mas sem discriminação específica.
O termo voodoo em inglês vem da palavra vodun, que significa "divindade" ou "deus" no grupo dialetal ewe-gen-aja-fon do Golfo da Guiné — a oeste da localização contemporânea dos yorùbá. Há muitos séculos, saíram várias dinastias da cidade de Tado, atualmente no Togo. Tais dinastias fundaram os reinos de Allada, Daomé e Hogbonou ou Porto-Novo. Elas e seus súditos acabaram por falar diversos dialetos (Akindélé e Aguessy 1953, Pliya 1970, Capo 1984).
Para além do Benin, o vodun africano e as práticas que dele descendem podem ser encontrados na República Dominicana, Porto Rico, Cuba, Brasil, Haiti, Estados Unidos, Gana e Togo. A palavra vodun é a palavra Ewe-Fon para espírito.
Brasil 
História
A tradição e a cultura dos escravos de jeje, Ewe, Fon, Mina, Fanti, Ashanti, deram origem no Brasil às tradições conhecidas como:
Candomblé Jeje, teve início em Salvador e no Recôncavo baiano, nas cidades de Cachoeira e São Félix e outras, depois migrou para o Rio de Janeiro, São Paulo em maior número.
Tambor de Mina, ficou restrito a São Luís do Maranhão com a única casa de Jeje-Mina no Brasil que é a Casa das Minas.
Xangô do Nordeste, Xangô do Recife, Xangô de Pernambuco ou Nagô-Egbá ou Jeje-Nagô, teve início na Região Nordeste, uma parte migrou depois para outros estados.
Tambor do Golfo, Golfo corrente marinha.
Voduns
Mawu é o Ser Supremo dos povos Ewe e Fon, que criou a terra e os seres vivos e engendrou os voduns, divindades que a (Mawu é do gênero feminino) secundariam no comando do Universo. Ela é associada a Lissá, que é masculino, e também co-responsável pela Criação, e os voduns são filhos e descendentes de ambos. A divindade dupla Mawu-Lissá é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai Espírito Vital).
Loko, É o primogênito dos voduns. Representado pela árvore sagrada Ficus idolatrica ou Ficus doliaria (gameleira branca).
Gu, Vodun dos metais, guerra, fogo, e tecnologia.
Heviossô, Vodun que comanda os raios e relâmpagos.
Sakpatá, Vodun da varíola.
Dan, Vodun da riqueza, representado pela serpente do arco-íris.
Agué, Vodun da caça e protetor das florestas.
Agbê, Vodun dono dos mares.
Ayizan, Vodun feminino dona da crosta terrestre e dos mercados.
Agassu, Vodun que representa a linhagem real do Reino do Daomé.
Aguê, Vodun que representa a terra firme.
Legba, O caçula de Mawu e Lissá, e representa as entradas e saídas e a sexualidade.
Fa , Vodun da adivinhação e do destino.
Os voduns na África são agrupados em "famílias" chefiadas por um vodun principal, ora representando um elemento ou fenômeno da natureza, ora da cultura. Existem basicamente 4 famílias principais:
Os Ji-vodun , ou "voduns do alto", chefiados por Sô (forma basilar de Heviossô).
Os Ayi-vodun , que são os voduns da terra, chefiados por Sakpatá.
Os Tô-vodun , que são voduns próprios de uma determinada localidade (variados).
Os Henu-vodun , que são voduns cultuados por certos clãs que se consideram seus descendentes (variados).
No Brasil os voduns são cultuados nos terreiros de Candomblé, sobretudo nos da Nação Jêje, onde ainda se conserva alguma lembrança da divisão por famílias.
Ritual
Voduns não usam roupas luxuosas não gostam de roupas de festa e geralmente preferem a boa e velha roupa de ração. As danças são cadenciadas em um ritmo mais denso e pesado. Os Voduns estão sempre de olhos abertos e salvo algumas exceções, conversam (usando preferencialmente um dialeto próprio) e dão conselhos a quem os procura.
Iniciação
A iniciação ao culto dos voduns é complexa é longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro hunkpame, que podem chegar a durar um ano, onde os neófitos são submetido a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.
Hierarquia
Bokonon - Sacerdote do Vodun Fa equivalente ao Babalawo
Doté Sacerdotes (homens) da família de Sogbo e Doné Sacerdotisas (mulheres), esse título é usado no Terreiro do Bogum onde também são usados os títulos Gaiaku e Mejitó. similar à Iyalorixá.
Noche - Sacerdotisas do Jeje-Mina
Vodunsi - após 1 ano da iniciação.
Kajekaji - iniciado que ainda não completou o ciclo de obrigações.
Cuba
A tradição Fon mais ou menos "pura" de Cuba é conhecida como La Regla Arará.
É importante notar que a palavra Voodoo é a mais comum, conhecida e usada na cultura popular americana, e é vista como ofensiva pelas comunidades praticantes da Diáspora africana. Entretanto, as soletrações diferentes deste termo podem ser explicadas como segue:
A palavra Voodoo é usada para descrever a tradição Creole de New Orleans, Vodou é usado para descrever a Tradição Vodou Haitiana.
Voodoo da Louisiana , também conhecido como New Orleans Voodoo é uma religião da Diáspora africana, uma forma de (Voodoo) espiritualidade que historicamente foram desenvolvidas falando na língua francesa e Creole pela população Afro-americana do estado de Louisiana nos Estados Unidos.
Haiti 
Bandeira Vodu
Vodou haitiano, chamado de Sèvis Gine ou "serviço africano" no Haiti, tem também fortes elementos dos povos Igbo, Congo da África Central, e o Yoruba da Nigéria, embora muitos povos diferentes ou "nações" da África têm representação na liturgia do Sèvis Gine, assim como os índios Taíno, os povos originais das ilhas agora conhecidas como Hispaniola. Formas crioulas de Vodou existem no Haiti (onde é nativo), na República Dominicana, em partes de Cuba, e nos Estados Unidos, e em outros lugares em que os imigrantes de Haiti dispersaram durante os anos. É similar a outras religiões da diáspora africana, tais como Lukumi ou Regla de Ocha (conhecida também como Santería) em Cuba, Candomblé e Umbanda no Brasil, todas essas religiões que evoluíram entre descendentes de africanos transplantados nas Américas.
Jamaica 
Obeah é uma forma de religião ou culto de ancestrais africanos praticado na Jamaica, Voduns.


ORÁCULOS BANTU


Oráculos Bantús
por Alexandre de Oxalá - Baba Alaíyé
17 Maio
Oráculos
Sistemas de adivinhação
Existem vários métodos de adivinhação, seja com dezesseis pedras retiradas do estômago de um crocodilo, utilizada em grande parte por tribos no interior da colônia de Serra Leoa, ou com dezesseis pedras comuns, feijão, nozes de palmeira, ou cawris. Isso explica a dezesseis sementes de palmeira correspondentes às doze casas do céu.
Nenhum dos sistemas adivinhatórios de origem Banto chegaram ao Brasil e os sacerdotes adquiriram da cultura yorubana o jogo de búzios.
Para se realizar tais práticas o sacerdote deve ser iniciado dentro dos ritos e ainda assim nascer para tal ato. Não cabendo assim de forma alguma ‘novos’ praticantes oriundos apenas pela leitura da forma de adivinhação descrita neste livro.
Ainda sim, existe a forma de jogo com os chifres e as mãos do consulente como respostas. Prática pela qual somente é feito após ter sido orientado pelo iniciador não sendo descrito adiante.
As práticas divinatórias acham-se extremamente espalhadas entre os Tongas. Envolvidos por tantas influências malfazejas, possuindo poucos ou nenhuns conhecimentos científicos e não tendo a noção de uma teologia, eles tentam obter respostas pelos diversos métodos que inventaram, e temos de admitir que chegaram, neste domínio, a um alto grau de habilidade. O seu intenso desejo de conhecer o que o futuro reserva está na base dos presságios e das práticas divinatórias.
Os Kamuku e os Gbari ou Gwari são povos vizinhos na província de Níger, ao norte da Nigéria. Entre os Kamuku, “para predizer o futuro”, metades de nozes de palmeira são agitadas dentro duma carapaça de tartaruga e depois apanhadas dentro da mão direita ou esquerda. elas são então contadas e, conforme fiquem na mão em número par ou ímpar, um sinal é feito no chão. Este procedimento é repetido oito vezes e se chega a uma significação de acordo com a combinação. Divinação com  metades de nozes de palmeira e um casco de tartaruga é comum entre muitas tribos, notadamente os Gwari.
Os povos do Caribe (particularmente os cubanos), pela impossibilidade de obterem o kesu, passaram a utilizar o coco em sua substituição, inclusive num tipo de jogo denominado "Oráculo de Biaguê", onde quatro pedaços de coco são usados em substituição aos quatro segmentos do kesu.
O casco da tartaruga são untados com uma base oleaginosa extraída da da semente de ricinus comunis, mel puro, raízes, além de elementos ritualísticos ao qual ninguém que não seja o adivinho poderá tocar.
Porção de coração de leão, pois este animal simboliza poder e dignidade.
Partes de patas, coração e a cabeça do urubu ou corvo. Pelo fato que a ave simboliza a visão superior do adivinho. É indispensável para a predição do futuro as partes deste animal.
O médium ou vidente com a intensão de aumentar sua facultade advinhatória consome o fruto tamarindo.
NGOMBO (Tupele twa mu Ngombo, Kioko) — 1. É uma pequena kinda (Kasanda) com objetos, dos mais variados e excêntricos, que a mente africana é fértil em conceber e destinada ao jogo de adivinhação. 2. Quando um dos convivas herdava um ngombo de um parente seu morto, mandavam o morto tomar conta do vivo e que, para já, faça-se a hamba ngombo, ou seja, espetavam no chão dois paus de mtilemba, em frente à porta da casa do vivo, degolava-se um galo e uma galinha e punham as cabeças em cada uma das extremidades dos paus. Desta maneira, acabavam-se os seus sofrimentos (BRASIO, s/a).
Outro nomes dados aos Ngombo e suas variações: Sisuka, Tupele, Ngombo, tizuka, sisalo, katwá, Lusangu, muiná, mbingá, maliya, kakuka, etc...
Ngombo é o cesto, certamente TUPELE é para Tchokwe (Kioko) o cesto advinhatório, sendo seu singular 'kapele' denominando cada ítem dentro do cesto.
Alguns livros relatam o 'cesto' Ngombo como simbolismo para todo um jogo onde compõem alguns elementos como: pedras, conchas e partes de animais. Incluem restos vegetais, cerâmicas, moedas, artefatos e estatuetas. Tal divinação cesta é chamado ngombo ya ya kusekula ou xisuka.
Para a iniciação a pessoa deve ser iniciado por um Nakabuna (sacerdote especialista em adivinhação) e só ele inicia um "Tahi" (adivinho de menor escala).
Os elementos que compõem essa forma oracular segundo pesquisas são: Chifre de antílope pequeno, pata dianteira de macaco, pangolim (semelhante ao tatu), pata de tamanduá, espinho de porco-espinho, dente de animal de caça envolvido num pano vermelho, unha ou garra de águia real, pata de kambangu, pena vermelha de um pássaro chamado Nduua, casco da tartaruga, pata de lagarto, cascas, lâminas, estátuas pequenas, quartzos, cabeça de camaleão, raízes, espelhos, pedras, cawris, cabeça de serpente, pemba, espiral de raízes, grãos, carcaça de animal marinho e garras e vários ossos de outros animais.
A cesta é confeccionada com uma raiz chamada ‘Kenge’.
Em Duala, a língua Bantu ao sul dos Camarões chamam-no "Ngambi" de "Ngan" o forte e "Nganja" sábio em ciencia oculta.
Dentre os métodos de adivinhação o Nganga (o feiticeiro) observa no sacrifício animal as moelas, fígado, intestino, veias, fibras, etc...
Os adivinhos, feiticeiros e curandeiros são conhecidos como: Nganga, Mubiki, Mumone, Musambo, Sudika Mambi, Kuma, Kisumba, Musakeri, Musakidi, Muxingidi, Mungombo uilenji, Mukunji, Mudiakimi, Mangaka, Mali-ala, Mandemtae, Mlauango-Songo, Mukuá-dibata, Munguolongesa, Isangoma (Zulu), Unguosakula,Umthakathi (bruxa zulu), Kimbanda, kambuna, Muzambudi e Muloji (feiticeiro destinado as práticas maléficas).
Vititi Mpaka Menso:
Se fixa a vista em um espelho ritualmente preparado num chifre de boi que em seu interior se introduz substâncias naturais para se conferir um caráter mágico. Resulta em uma adivinhação certeira quando bem ritualizado. Alguns materiais utilizados para o ritual: Coruja, papagaio, pica pau, chinchila, pitirre (pássaro que anuncia as coisas), cabeça de galo preto, uma moeda de prata, todo tipo de metal em pó, terras de vários locais, todo o tipo de pimenta, azougue, língua de galo, osso, folhas de tabaco, cinzas de tabaco, carvão natural, cabeça de cobra, dentes de javali, dentes de todo tipo de felino, cera virgem, ervas enteogêneas ou da divindade que regerá. Funcionará como os olhos da divindade, a essência. Quando é regido por Katendê se introduz olhos esquerdos de diversos animais. O chifre pode ser adornado com cawris. Os animais sacrificados ficam emcima do chifre e são posteriormente transformados em pó depois de secos. O uso de uma vela branca a frente do espelho é necessário na hora de sua
utilização. Podendo exercer os atributos da divindade regente emcima da cabeça do consulente para algum fim.
Fonte livro: Luvembo, raízes perdidas do fundamento Bantu.
(Registrado na Biblioteca Nacional do RJ)
No Brasil, não houve descendentes de qualquer tribo bantu que tivesse repassado o segredo de uma das várias formas oraculares. Então o Candomblé de Angola/Brasileiro assimilou ao seu culto o jogo de búzios yorubano.
Ngombo (Tupele twa mu Ngombo, Kioko)
É uma pequena kinda (Kasanda) com objetos, dos mais variados e excêntricos, que a mente africana é fértil em conceber e destinada ao jogo de adivinhação. Lançando um conjunto especial de ossos simbólico ou um conjunto de artigos selecionados simbólicas como, por exemplo, usando o osso da asa de um pássaro para simbolizar a viagem, uma pedra redonda para simbolizar um útero grávido, e um pé de aves para simbolizar o sentimento.
Outro nomes dados aos Ngombo e suas variações: Sisuka, Tupele, Ngombo, tizuka, sisalo, katwá, Lusangu, muiná, mbingá, maliya, kakuka, etc...
Outro oráculo da tribo congolesa Songye é o katatora ou ketola. Onde uma imagem semelhante ao Deus Janus é consultado através de um atrito.
Do verbo kutotola, significa bater em alguma coisa várias vezes para se obter algo.
Quase metade dos adivinhos Yaka são do sexo feminino: a transmissão matrilinear de habilidades divinatórias é através de ambos os sexos, que é de (classificatória) é irmão da mãe para o filho da irmã ou filha.
Makakata (hakata no singular) e Dzithangu (thangu em xona no singular)
Durante todo centro sul da África, instrumentos de adivinhação em forma de "dados" pequenos tabletes de madeira ou osso têm sido usados ??por um longo período, um conjunto de terem sido encontrados em Khami no Zimbabué, que data de cerca do século XVII.
Feitos de madeira (os maiores) e marfim (os menores).
Gbekre (Baule)
É um oráculo provavelmente de origem Guro e é uma das várias técnicas de adivinhação utilizado na sociedade Baule, que é praticado no leste e central da Costa do Marfim por povos de língua Agni, que incluem o Guro e Yaure.
Os jinganga passam vários anos dominar esta técnica de adivinhação.
O material do gbekre está contido dentro de um vaso de terracota no interior de um cilindro oco de madeira. Ossos de pássaros e morcegos.
Os camundongos são colocados na câmara baixa e passar pelo buraco no cenáculo, no qual o adivinho colocou dez pequenas varas (originalmente, pássaros ou morcegos ossos foram usados). Os pauzinhos, chamados nyma gbekre (literalmente, "os olhos dos ratos"), são revestidas com farinha e anexado em uma extremidade com a fibra da casca de uma tartaruga de terra.
Ngombo Galukoji
É um oráculo da tribo Pende. Instrumento de adivinhação congolesa.
Confeccionado em Madeira, bambu, penas, fibras, pedras, sementes arbrus, pós.
Medidas; 39,4 x 96,5 centímetros (15 1 / 2 x 38 polegadas).
Para o Nkobo, outras divindades podem também fazer parte do sistema adivinhatório e mesmo as regentes, dependendo de como foi confeccionado. Exemplo; Mukumbi nem sempre é a divindade oracular, mas ela também é muito difundida e usada na confecção do oráculo.
Este método de adivinhação consiste em um sistema aberto analógico em que o uso é feito de um conjunto variado de figuras ( L: atupeel, atupeedi ) e substâncias de origem animal e vegetal ( maamp ngoomb MA ).
Apesar de ser a maioria os homens a titularidade de advinho dos oráculos Bantu. A mulher tem seu papel nos 'Bayaka'.
Vititi Mboko: É pouquíssimo conhecido na América este sistema oracular por ter um caráter complicadíssimo, dado que seu ritual de fundamento não se transmitiu aos novos iniciados e que consta de um cesto com uns 70 utensílios como ossículos de animais, sementes, cawris, estatuetas em miniaturas, etc...
Vititi Chamalongo: Oráculo conhecido também como ‘bianguê’ e ‘kesu’ onde são usados 4 pequenas conchas que tem em suas parte convexas e umas pequenas manchas.
Vititi Kunda: Método oracular pouco usado dos advinhos Bakongos. De onde se usa um pequeno instrumento musical de nome ‘kunda’. O antropólogo Wyatt McCaffrey que o nome kunda está relacionado com o verbo ‘saudar ou homenagear’ e que parece se referir aos espíritos como papel mediador. Não leva espelhos e sinos em sua composição.
Vititi Nkobo: Outro sistema advinhatório Bantu também conhecido como: Vititi Nkobo, Sandu,
Kumulenga, xabalão, kanomputo e Ndungi.
 Sistema de advinhação: Os elementos são caroços de dendezeiro, sementes, folhas, ossos, cawris e vários elementos côncavos que representam um olho de Katendê.
Se recita o kuboka ua nkobo antes de iniciar o jogo fazendo 3 libações de água a Mavambu. São pedaços de caroços de dendezeiro partidos ao meio lembrando um olho ao qual o patrono deste jogo é Katendê. Se lavam em ervas em flor de laranjeira, folhas de algodeiro, salvia, folhas de orô, hortelã, folhas de guiné, manteiga de cacau (ori), babosa e os sacrifícios correspondentes como 2 pombas, deixando por 4 dias os caroços e os 2 cascos de tartarugas pequenos, assim como também o restante do material envolvidos em morin branco. As águas usadas são de rio e chuva de primavera. Pode ser jogado numa esteira no chão ou num tabuleiro medindo 3,5 cm e diâmetro de aproximadamente 50cm. Nos 4 lados se talha um simbolismo representando os 4 mundos principais.
Cada caída tem um significado numérico que correspondem a divindade regente. Esse significado numérico conhecido por ‘letras’
Se pergunta aos mortos e aos jinkisi aonde se deve levar as oferendas e se estão satisfeitos com o sacrifício oferecido. O sistema se vê com cinco palavras nada mais.
Se fecha a mão esquerda com os materiais advinhatórios e com a mão direita se toca a terra 3 vezes rezando o Kuboka ua Nkobo.
Se mentaliza o nome do Nkisi ao qual deseja perguntar.
Para conhecer as caídas se deve saber como estas caídas estão sendo para direita ou esquerda do chifre do bode ou antílope postos ao centro representando o infinito.
Se sabes na direita o números de Nkobo que cai em branco e na esquerda.
Quando os olhos caem virados os quatros para cima significam paz e positividade na questão respondendo Lembá e Nzaze.
Quando 3 olhos caem virados para cima e somente um para baixo, responde duvidoso e se a pergunta se repete e cai a mesma jogada, confirma ser duvidoso a questão. Respondem Mukumbi, Mikaiá, Nzaze e Mukongo Mbila.
Quando 2 olhos caem para cima e 2 para baixo responde a confirmação de Lembá para a questão em definitivo.
Quando 3 olhos caem fechado e apenas 1 aberto virado para cima responde desgraça e mau algouro. Os mortos respondem e também Matamba, Mavambu, Nsumbu, Nzingalubondo, Nzaze e Kiangu.
Quando os 4 olhos caem fechados para baixo responde intervenção judicial, desgraça e morte.
Se retorna a perguntar e se repetir o jogo a resposta é drástica tendo então que acender uma vela branca para os mortos e refrescá-los com água. Respondem Nzaze e Matamba.
Se jogam duas vezes para saber a direção que se dá ao jogo. Se é direita ou esquerda.
Quando caem em linha todos abertos significam um bom caminho, mesmo sendo direita ou esquerda.
Se cai um aberto e outro fechado por cima significa que a mulher tem mais de um homem.
Duas caídas abertas uma sobre a outra significa uma amizade entre duas mulheres.
Três ou quatro ‘nkobo’ na mesma posição significam homens que andam juntos e se pergunta que tipo de amizade os une.
Um nkobo aberto emcima de outro; mulheres. Se dois caem fechado um sobre o outro é briga de homens.
O de cima quer vencer o que está abaixo.
Se três caem abertos um sobre o outro significa relação entre mulheres e se caem fechados relação entre os homens e debilidade de caráter. o nkobo que estiver ao centro significa o pior e poderá ser processado pela justiça. Nesse caso se pergunta novamente.
Antes de recitar o kuboka ua nkobo, recitar a Nkukualunga
Nkukualunga tata kamuenhú monhi 2x
Ngana ia dilenga monhi
Nkukualunga ia dilenga monhi
Kuboka ua Vititi Nkobo :
Vititi Nkobo kupesa nsambu na mono, Vititi Nkobo mu Kuzola Kumonaka
Akilelenu kuene iambote (Que a luz seja boa)
Auhaxi kuene kutululuka (Que doença seja calma)
Amavambu kuene kutululuka iambote (Que mensageiro seja calmo e bom).
Nzambi ua kuatesá (Casa de Deus com fartura)
Nzambi ivua o kiriondo kiami (Deus escuta a minha súplica)
Akiami nzo ki kizangu (Que minha casa não entre trajédia)
Mbe Kana kala Fua (Que não haja morte)
Mbe Kana kala kulandulula kua manhinga (Que não haja derramamento de sangue )
Mbe Kana kala makutexi (Que não haja perdas)
Mbe he tena kudikoloxa niukexilu (Que se possa enxergar com clareza)
Mbe Kana Kuata mauhaxi nzo (Que não tenhamos doente na casa)
Mbe Kana kuata mulonga nzo (Que não tenhamos desavenças na casa)
Mbe Katende ngi nzela kudikoloxa ni e Tala (Que Katendê me permita enxergar com seu olho)
Kondos regentes:
01 Yosi
02 Yole
03 Itatu
04 Iya
05 Ifanu
06 Isabami
07 Isaboarê
08 Inana
09 Ifwa
10 Kumi
11 Kumi Yosi
12 Kumi Yole
13 Kumitatu
14 Kumi Iya
15 Kumi Ifanu
16 Kumi asabami
17 Kumi Inana
18 Kumi Inana
19 Kumi fwá
20 Yole kumi
21 Yole kumi yosi
OBS: Para sacerdotes que estão dentro do culto de origem Bantu poderá ser feito a iniciação para o oráculo NKOBO.
* O período de preparação para a montagem, fundamentação e execução até o momento de se poder jogar ao consulente é de 9 meses.
* Todos os animais necessários e utensílios para o oráculo são de responsabilidade do sacerdote que deseja obter este sistema adivinhatório.
* Não é iniciado a este sistema oracular para sacerdotes de outras culturas que não seja de origem BANTU.
* Neste sistema oracular, é essencial que o sacerdote tenha o assentamento de Katendê.
Parte integrante do livro:
Luvembo, raízes perdidas do fundamento Bantu
Registrado na Biblioteca Nacional, Palácio Gustavo Capanema

Célia Cristina Martins Almeida
Aprendi mais um pouco.

Olorún Modupé.

IPADÊ DE EXÚ


O padê é uma cerimônia do candomblé e de religiões de origem ou influência afro-brasileira, na qual se oferecem a Exu, antes do início das cerimônias públicas ou privadas, alimentos e bebidas votivas, animais sacrificiais etc., na intenção de que não perturbe os trabalhos com seu lado brincalhão e que agencie a boa vontade dos orixás que serão invocados no culto. Também conhecido como despacho (de Exu).

Procedimentos 

Tem início obrigatoriamente com o padê de Exu, do qual muitas vezes se dá uma interpretação falsa, particularmente nos candomblés banto: Dizem Exu é o diabo, poderá perturbar a cerimônia se não for homenageado antes dos outros deuses, como aliás ele mesmo reclamou 
Para que não haja rixas, invasões da polícia (nas épocas em que havia perseguições contra os candomblés,"Estado Novo"), é preciso pedir-lhe que se afaste; daí o termo de despacho, empregado algumas vezes em lugar de padê, despachar (significando mandar alguém embora).

Exu é, na verdade, o Mercúrio africano, o intermediário necessário entre o homem e o sobrenatural, o intérprete que conhece ao mesmo tempo a língua dos mortais e a dos Orixá. É pois ele o encarregado - e o padê não tem outra finalidade - de levar aos Orixás da África o chamamento de seus filhos do Brasil.

O padê é celebrado pela Iyamorô que é auxiliada por duas das filhas-de-santo mais antigas da casa, a dagã e a sidagã, ao som de cânticos em língua africana, cantados sob a direção da iyá têbêxê e sob o controle do babalorixá ou iyalorixá, diante de uma quartinha com água e um alguidá contendo o alimento de Exu, um outro recipiente com o alimento favorito dos ancestrais. Embora o padê se dirija antes de tudo a Exu, comporta também obrigatoriamente uma cântiga aos mortos (Essá) ou para os antepassados do candomblé, alguns dentre eles sendo mesmo designados por seus títulos sacerdotais. A quartinha, o recipiente e o alguidá serão levados para fora do barracão onde se desenrolará o conjunto de cerimônias.Sendo um dos primeiros rituais executado, tem como objetivo principal retirar o Ajé (Energias negativas) e reverenciar os ancestrais, Eguns, Egunguns, Baba Eguns, em especial as grandes mães Yamins, Oshoronga, Opaoka e Aje Shaluga. Este ritual tem como participante ativo as Yagans, Yamoros, ajemudas e Kirijebos que são cargos específicos para a proteção espiritual do terreiro.


A festa propriamente dita pode então ter começo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

MERINDILOGUN


Merindilogun ou Merindelogun - vem da palavra Erindinlogun e a tradução é dezesseis, sistema utilizado na África pelos yorubás algumas vezes chamado de dilogun (abreviatura de merindilogun), entregue ao sacerdote no ritual de oyê depois da obrigação de odu ejé.

É um dos muitos métodos divinatórios utilizado pelos Babalawos, Babalorixás e Iyalorixás que conta com 16 búzios. É um método diferente do jogo de búzios, pois nele ocorre a interpretação das caídas dos búzios por odù e (cada odù indica diversas passagens) de acordo com a mitologia yorubá.

No merindilogun, antes do arremesso dos búzios é Ifá o intermediário, quando eles caem dando a quantidade, o intermediário passa a ser Exu Elegba, que sempre acompanha Ifá. As caídas são dadas conforme a quantidade de búzios abertos e fechados resultante de cada arremesso. A resposta para cada quantidade de búzios abertos e fechados, corresponde um Odù e como ocorre no Opele-Ifa, esse odù deve ser interpretado, transmitindo-se ao consulente tanto o significado da caída, quanto o que deve ser feito para solucionar o problema.

Caída de Búzios 

Opon Meridilogun.
Um búzio aberto - Okaran
Dois búzios abertos - Ejiokô
Três búzios abertos - Etaogundá
Quatro búzios abertos - Irosun
Cinco búzios abertos - Ôxê
Seis búzios abertos - Obará
Sete búzios abertos - Ôdi
Oito búzios abertos - Êjioníle
Nove búzios abertos - Ossá
Dez búzios abertos - Ôfun
Onze búzios abertos - Ôwarin
Doze búzios abertos - Êjilaxeborá
Treze búzios abertos - Êjilobon
Quatorze búzios abertos - Iká
Quinze búzios abertos - Obéogundá
Dezeseis búzios abertos - Êjibé
História 

Em 1830 em Salvador, Bahia, eram raros os que tinham a função do jogo de búzios por odu, que era consultado apenas para os desígnios do plano divino, diferente do tempo atual que é procurado para resolução de vários tipos de problemas inerentes aos conflitos existenciais, e a busca de conhecer seus procedimentos, e que encanta não só ao povo do santo.

O jogo de búzios instituído no Brasil contribuiu para a organização do candomblé, sofrendo transformação para ser utilizado pelas mulheres e no futuro, por todos os dirigentes de candomblés que vieram a ser formados. Esta nova modalidade foi feita por Ìya Nàsò e Bàbá Asikan que depois de libertos da escravidão, viajaram para a África e voltaram depois de sete anos. Esta simplificação tornou-se menos complexa, promovendo uma mudança radical de status religiosos. A autoridade dos antigos Bàbáláwo e Bokonun que ocupavam a hierarquia máxima sacerdotal na África, desapareceu aqui no Brasil, tornado os Babalorixá e Iyalorixá independentes, dirigentes de seus próprios terreiros de candomblé. Ficando apenas o costume daquele que joga intitular-se Bàbáláwo, embora indevido, pois este título é aplicado somente para quem joga o Ifá ou Opele-Ifá.


Por outro lado os sacerdotes de nações Bantos que já tinham seu próprio jogo de búzios e não eram orientados pelas caídas de Odu, nessa ocasião passaram a mesclar seu jogo, ora por caída ora por Odu, mas muitos deles optaram por continuar usando seus métodos de jogo, mantendo suas tradições.