quinta-feira, 21 de maio de 2020

KATULEMBÊ - ANGOLA


História e Cultura: Angola – nasce uma nação, sua origem e identidade
Katulembê
O surgimento do primeiro nativismo angolano


As primeiras idéias, a primeira consciência de rebeldia de nativismo aparece de certa maneira captada por estes contatos por estas inteligências em contato com o Brasil, quando se fala em nativismo esta palavra não aparece na Europa , aparece exatamente influenciada por uma corrente nativista brasileira.
 

Este conceito aparece em função primeiro no Brasil, e aparece no século XIX sobretudo a partir da Segunda metade surge um nativismo atuante mesmo quer dizer os primeiros jornais, os primeiros intelectuais, os primeiros africanos que criam jornais e ao mesmo tempo que escrevem como Cordeiro da Mata que escrevem, que criam gramáticas, criam dicionários de línguas nacionais sobretudo o kimbundu porque evidentemente era a área cultural o kimbundu em Luanda e que começam a pensar e a reivindicar, estes jornais são no primeiro momento jornais reivindicativos, a consciência tinha um certo limite, porque eles de certa maneira encontravam como obstáculo ainda o não conhecimento de uma Angola como um todo, era local e a reivindicação era local, a reivindicação da exploração, do racismo, das prioridades que davam aos colonos e não aos africanos, aos naturais, aos filhos da terras, começa-se haver a primeira autodenominação de naturais, de filhos da terra e depois de angolense – o primeiro jornal, (o jornal que existe hoje de imprensa alternativa Angolense é uma copia do titulo evidentemente do jornal do final do século XIX, começo deste século ” O Angolense” , a historia não se repete não tem nada haver uma coisa com a outra mas o Américo Gonçalves tem todo mérito de não fazer esquecer este jornalismo nativista , o primeiro que houve ao dar novamente o nome de Angolense um jornal atual ).
Então existe esta primeira consciência que não é uma consciência nacional ainda, mas é uma consciência nativa reivindicativa em relação aquilo que estava a suceder, neste final de século e começo deste século havia por acaso toda uma consciência, ainda é final de monarquia na Europa, em Portugal a potência colonizadora de um espírito de certa maneira liberal que permitia a legalização destes pequenos jornais existentes e a imprensa nativista em Angola foi representativa e ela deve ser recuperada historicamente para mostrar como ela foi atuante, eram pequenos jornais que as vezes tinha duração de meia dúzia de números e caiam por ai adiante, o Eco de Angola, O Negro e outros é interessante dizer que estes jornais não existiam só em Angola, em Moçambique, etc., mas também em Lisboa devido ao contingente de emigração muitas vezes nesta época a Lisboa no final do século passado, então também houveram jornais nativistas em Portugal ai não particularmente de Angola, Moçambique mas ao contrário mas reunindo as diversas colônias, eram jornais digamos de um movimento anti-colonial ou pelo menos reivindicativo ao nível das coloniais, estas união de Palops tem uma origem lá no século passado.
A primeira reivindicação que se opunha ao colonizador era questão racial, mas depois coloca-se a questão de princípios influenciadas esta imprensa que vemos recorrendo a leitura são reivindicativas de um espírito de um socialismo utópico do final do século passado, universalistas e as vezes chegam a dizer que não ” nós não queremos deixar de ser portugueses” chega-se a afirmar isto para se mostrar o espírito meramente reivindicativo mas não podemos admitir é que agente seja explorada, que seja discriminada racialmente, que seja explorados economicamente porque esta é a nossa terra ao mesmo tempo se reconhece os valores agora que tinham sido negados e continuaram a ser negados, os valores da terra, do ponto de vista lingüístico então é muito interessante porque estes jornais muitas vezes são bilíngüe tinham artigos em português todo rebuscado e depois o artigo em kimbundu.
Depois com a queda da monarquia e o começo da república ainda impera esta possibilidade de um espírito liberal durante algum tempo, mas logo com as mudanças que conduzem ao autoritarismo em Portugal começa a ser fechado nas décadas de 30/40 e começa a haver uma impossibilidade destas reivindicações e ao mesmo tempo também vai eclodir a 2º guerra mundial e ninguém esta separado e ninguém vive isolado dos acontecimentos, a segunda guerra mundial foi o momento de tomada de consciência de dizer porque que os europeus lutam, porque que nós somos colonizados, o que é ser nação, o que a nacionalidade e este questionamento ao mesmo tempo ligado a um autoritarismo cada vez maior e crescente nas coloniais e em Angola.
São os primeiros estudantes que vão fazer cursos em Portugal na década de 40 final da Segunda guerra mundial é o movimento que se espalha por toda África, os movimentos pan-africanistas, os movimentos culturais pois a primeira reivindicação é cultural , é o andamento para as questões políticas, aquela que vai construir esta consciência de pertencimento e de diferença em relação ao outro, em Angola podia se saber todos os nomes dos rios de Portugal, todas as linhas férreas que eram obrigadas a estudar em geografia e ninguém conhecia o monte mais alto de Angola ou do rio mais extenso.

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sábado, 16 de maio de 2020

GRUPO NHANEKA


História e Cultura: Grupo Nhaneka – Humbe
Tata ria Nkisi Otuajô(*)
Tanto entre os povos Nhaneka, quanto entre os Humbe, é levado a efeito sazonalmente a “Festa do Boi Sagrado”. É um ritual de premonição, em relação aos resultados da colheita vindoura.
Um boi, malhado de preto e branco, é entregue pelo Soba aos cuidados de um Mene-Humbe — grande pastor — para que dele cuide até à época do ritual. Na época própria, o Mene-Humbe, seguido por um cortejo de que fazem parte praticamente todos os habitantes da sanzala onde mora o Soba, dirige-se com o boi à casa deste chefe, que dá ao boi, na palma da mão, um pó branco preparado com cascas de árvore — Omu-Abugulu.Caso o boi não lamba o pó da mão do Soba, o presságio é negativo, o pastor responsabilizado e, dependendo do humor do Soba, pode até ser executado. No caso de lamber o pó, o presságio é positivo, anuncia boas colheitas, o que é amplamente aplaudido pela população de seguidores.
Aí acontece uma festa apoteótica, em que a ordem de alegria geral é de tal maneira rigorosa que, enquanto a festa dure, estão vetados os cultos tristes. A festa termina com o início do cortejo “ONDYELY”, em que o boi percorre todas as terras do Sobado, para que agora, já considerado sagrado, possa ser saudado por todos.

Outro costume curioso entre os Humbes, é quando uma moça pré-púbere engravida. Os contatos sexuais, como na maioria dos povos em Angola, são encarados de forma natural, e jamais coibidos. Qualquer garota, de qualquer idade, pode dormir com rapazes; o que não pode é engravidar.

Na tentativa de evitar que isso aconteça, as mães instruem as filhas a amarrar bem o pano da tanga entre as pernas, ou a praticar o coito interrompido; desvelos maternos bem intencionados, mas pouco práticos e nem sempre eficazes.

Quando acontece a gravidez indesejada a uma moça que ainda não tenha passado pelo ritual da puberdade, torna-se necessário que o feiticeiro a leve até à margem do Rio Kunene para um banho purificador, já que ela está conspurcada. Na margem do rio, a moça sobe num galho de árvore que esteja bem sobre a correnteza, e que é cortado pelo feiticeiro, precipitando a moça no caudal violento; normalmente os jacarés do Kunene são mais rápidos para chegar à moça, do que ela nadar até à margem.

Uma das medidas práticas para evitar a gravidez das moças antes do ritual da puberdade é faze-las passar pelo ritual antes da puberdade fisiológica; o que por sua vez origina verem-se garotas com responsabilidades matrimoniais, em idade em que nas outras tribos apenas se ocupam com cantorias e brincadeiras infantis.

Entretanto, após a puberdade ritual, os nascimentos são amplamente festejados, a menos que sejam gêmeos. O nascimento de gêmeos entre os Humbes, é sempre sinal de mau presságio, que só pode ser combatido por meio de uma série de rituais de contra efeito.

Mal nascem os gêmeos, é chamado um Kimbanda para fazer a OKUTUNTHA, que consiste na lavagem da testa, nuca, cotovelos, joelhos e planta dos pés de toda a família.

Em seguida constrói-se fora da sanzala uma cubata para onde mãe e filhos são levados, e onde ficarão de quarentena por um largo período, determinado pelo feiticeiro; durante esse tempo, a mãe tem o encargo de, além de cuidar dos filhos, tecer dois pequenos cestos, que mais tarde lhes servirão de pratos.

No dia em que o feiticeiro der por findo o prazo de isolamento, vai logo de manhã avisar a mãe, e quando o sol estiver na vertical, o feiticeiro leva toda a família, pai, mãe e outros filhos além dos gêmeos, para uma clareira no meio do mato, onde o pai haja erguido um estrado.

Lá chegados, o pai, a mãe e os gêmeos, sentam-se nus no estrado, para que possam ser lavados com um preparado especial. A lavagem segue uma determinada ordem: Primeiro a mãe, depois o gêmeo que primeiro tenha nascido, depois o pai, e por último o gêmeo que nasceu em segundo lugar.Só depois deste ritual é que as placentas podem ser enterradas, e a viad tomar um curso normal para a família.

É de notar que, apesar de toda a necessidade de purificação que causa o nascimento de gêmeos, se forem trigêmeos não acontece nada, absolutamente nada, procede-se como se houvesse nascido um só bêbê.


(*) Julio Guimarães é graduado em Administração de Empresa e pós-graduado em Gestão de Recursos Humanos. Foi iniciado no candomblé em 04-02-1984 e hoje pertence a Ndanji ua Tombeici. Atualmente dirige sua própria Inzo – ABASSA KUA BUALA NGANA ROXE MUKUMBE XIBULU UA NZAMBI – RJ

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ORÁCULOS BANTU - ADIVINHAÇÃO


Oráculos Bantú
Sistemas de adivinhação
Existem vários métodos de adivinhação, seja com dezesseis pedras retiradas do estômago de um crocodilo, utilizada em grande parte por tribos no interior da colônia de Serra Leoa, ou com dezesseis pedras comuns, feijão, nozes de palmeira, ou cawris. Isso explica a dezesseis sementes de palmeira correspondentes às doze casas do céu.
Nenhum dos sistemas adivinhatórios de origem Banto chegaram ao Brasil e os sacerdotes adquiriram da cultura yorubana o jogo de búzios.
Para se realizar tais práticas o sacerdote deve ser iniciado dentro dos ritos e ainda assim nascer para tal ato. Não cabendo assim de forma alguma ‘novos’ praticantes oriundos apenas pela leitura da forma de adivinhação descrita neste livro.
Ainda sim, existe a forma de jogo com os chifres e as mãos do consulente como respostas. Prática pela qual somente é feito após ter sido orientado pelo iniciador não sendo descrito adiante.
As práticas divinatórias acham-se extremamente espalhadas entre os Tongas. Envolvidos por tantas influências malfazejas, possuindo poucos ou nenhuns conhecimentos científicos e não tendo a noção de uma teologia, eles tentam obter respostas pelos diversos métodos que inventaram, e temos de admitir que chegaram, neste domínio, a um alto grau de habilidade. O seu intenso desejo de conhecer o que o futuro reserva está na base dos presságios e das práticas divinatórias.
Os Kamuku e os Gbari ou Gwari são povos vizinhos na província de Níger, ao norte da Nigéria. Entre os Kamuku, “para predizer o futuro”, metades de nozes de palmeira são agitadas dentro duma carapaça de tartaruga e depois apanhadas dentro da mão direita ou esquerda. elas são então contadas e, conforme fiquem na mão em número par ou ímpar, um sinal é feito no chão. Este procedimento é repetido oito vezes e se chega a uma significação de acordo com a combinação. Divinação com  metades de nozes de palmeira e um casco de tartaruga é comum entre muitas tribos, notadamente os Gwari.
Os povos do Caribe (particularmente os cubanos), pela impossibilidade de obterem o kesu, passaram a utilizar o coco em sua substituição, inclusive num tipo de jogo denominado "Oráculo de Biaguê", onde quatro pedaços de coco são usados em substituição aos quatro segmentos do kesu.
O casco da tartaruga são untados com uma base oleaginosa extraída da da semente de ricinus comunis, mel puro, raízes, além de elementos ritualísticos ao qual ninguém que não seja o adivinho poderá tocar.
Porção de coração de leão, pois este animal simboliza poder e dignidade.
Partes de patas, coração e a cabeça do urubu ou corvo. Pelo fato que a ave simboliza a visão superior do adivinho. É indispensável para a predição do futuro as partes deste animal.
O médium ou vidente com a intensão de aumentar sua facultade advinhatória consome o fruto tamarindo.
NGOMBO (Tupele twa mu Ngombo, Kioko) —  É uma pequena kinda (Kasanda) com objetos, dos mais variados e excêntricos, que a mente africana é fértil em conceber e destinada ao jogo de adivinhação.  Quando um dos convivas herdava um ngombo de um parente seu morto, mandavam o morto tomar conta do vivo e que, para já, faça-se a hamba ngombo, ou seja, espetavam no chão dois paus de mtilemba, em frente à porta da casa do vivo, degolava-se um galo e uma galinha e punham as cabeças em cada uma das extremidades dos paus. Desta maneira, acabavam-se os seus sofrimentos (BRASIO, s/a).
Outro nomes dados aos Ngombo e suas variações: Sisuka, Tupele, Ngombo, tizuka, sisalo, katwá, Lusangu, muiná, mbingá, maliya, kakuka, etc...
Ngombo é o cesto, certamente TUPELE é para Tchokwe (Kioko) o cesto advinhatório, sendo seu singular 'kapele' denominando cada ítem dentro do cesto.
Alguns livros relatam o 'cesto' Ngombo como simbolismo para todo um jogo onde compõem alguns elementos como: pedras, conchas e partes de animais. Incluem restos vegetais, cerâmicas, moedas, artefatos e estatuetas. Tal divinação cesta é chamado ngombo ya ya kusekula ou xisuka.
Para a iniciação a pessoa deve ser iniciado por um Nakabuna (sacerdote especialista em adivinhação) e só ele inicia um "Tahi" (adivinho de menor escala).
Os elementos que compõem essa forma oracular segundo pesquisas são: Chifre de antílope pequeno, pata dianteira de macaco, pangolim (semelhante ao tatu), pata de tamanduá, espinho de porco-espinho, dente de animal de caça envolvido num pano vermelho, unha ou garra de águia real, pata de kambangu, pena vermelha de um pássaro chamado Nduua, casco da tartaruga, pata de lagarto, cascas, lâminas, estátuas pequenas, quartzos, cabeça de camaleão, raízes, espelhos, pedras, cawris, cabeça de serpente, pemba, espiral de raízes, grãos, carcaça de animal marinho e garras e vários ossos de outros animais.
A cesta é confeccionada com uma raiz chamada ‘Kenge’.
Em Duala, a língua Bantu ao sul dos Camarões chamam-no "Ngambi" de "Ngan" o forte e "Nganja" sábio em ciencia oculta.
Dentre os métodos de adivinhação o Nganga (o feiticeiro) observa no sacrifício animal as moelas, fígado, intestino, veias, fibras, etc...
Os adivinhos, feiticeiros e curandeiros são conhecidos como: Nganga, Mubiki, Mumone, Musambo, Sudika Mambi, Kuma, Kisumba, Musakeri, Musakidi, Muxingidi, Mungombo uilenji, Mukunji, Mudiakimi, Mangaka, Mali-ala, Mandemtae, Mlauango-Songo, Mukuá-dibata, Munguolongesa, Isangoma (Zulu), Unguosakula,Umthakathi (bruxa zulu), Kimbanda, kambuna, Muzambudi e Muloji (feiticeiro destinado as práticas maléficas).
Vititi Mpaka Menso:
Se fixa a vista em um espelho ritualmente preparado num chifre de boi que em seu interior se introduz substâncias naturais para se conferir um caráter mágico. Resulta em uma adivinhação certeira quando bem ritualizado. Alguns materiais utilizados para o ritual: Coruja, papagaio, pica pau, chinchila, pitirre (pássaro que anuncia as coisas), cabeça de galo preto, uma moeda de prata, todo tipo de metal em pó, terras de vários locais, todo o tipo de pimenta, azougue, língua de galo, osso, folhas de tabaco, cinzas de tabaco, carvão natural, cabeça de cobra, dentes de javali, dentes de todo tipo de felino, cera virgem, ervas enteogêneas ou da divindade que regerá. Funcionará como os olhos da divindade, a essência. Quando é regido por Katendê se introduz olhos esquerdos de diversos animais. O chifre pode ser adornado com cawris. Os animais sacrificados ficam emcima do chifre e são posteriormente transformados em pó depois de secos. O uso de uma vela branca a frente do espelho é necessário na hora de sua
utilização. Podendo exercer os atributos da divindade regente emcima da cabeça do consulente para algum fim.
Fonte livro: Luvembo, raízes perdidas do fundamento Bantu.
(Registrado na Biblioteca Nacional do RJ)
No Brasil, não houve descendentes de qualquer tribo bantu que tivesse repassado o segredo de uma das várias formas oraculares. Então o Candomblé de Angola/Brasileiro assimilou ao seu culto o jogo de búzios yorubano.
Ngombo (Tupele twa mu Ngombo, Kioko)
É uma pequena kinda (Kasanda) com objetos, dos mais variados e excêntricos, que a mente africana é fértil em conceber e destinada ao jogo de adivinhação. Lançando um conjunto especial de ossos simbólico ou um conjunto de artigos selecionados simbólicas como, por exemplo, usando o osso da asa de um pássaro para simbolizar a viagem, uma pedra redonda para simbolizar um útero grávido, e um pé de aves para simbolizar o sentimento.
Outro nomes dados aos Ngombo e suas variações: Sisuka, Tupele, Ngombo, tizuka, sisalo, katwá, Lusangu, muiná, mbingá, maliya, kakuka, etc...
Outro oráculo da tribo congolesa Songye é o katatora ou ketola. Onde uma imagem semelhante ao Deus Janus é consultado através de um atrito.
Do verbo kutotola, significa bater em alguma coisa várias vezes para se obter algo.
Quase metade dos adivinhos Yaka são do sexo feminino: a transmissão matrilinear de habilidades divinatórias é através de ambos os sexos, que é de (classificatória) é irmão da mãe para o filho da irmã ou filha.
Makakata (hakata no singular) e Dzithangu (thangu em xona no singular)
Durante todo centro sul da África, instrumentos de adivinhação em forma de "dados" pequenos tabletes de madeira ou osso têm sido usados ??por um longo período, um conjunto de terem sido encontrados em Khami no Zimbabué, que data de cerca do século XVII.
Feitos de madeira (os maiores) e marfim (os menores).
Gbekre (Baule)
É um oráculo provavelmente de origem Guro e é uma das várias técnicas de adivinhação utilizado na sociedade Baule, que é praticado no leste e central da Costa do Marfim por povos de língua Agni, que incluem o Guro e Yaure.
Os jinganga passam vários anos dominar esta técnica de adivinhação.
O material do gbekre está contido dentro de um vaso de terracota no interior de um cilindro oco de madeira. Ossos de pássaros e morcegos.
Os camundongos são colocados na câmara baixa e passar pelo buraco no cenáculo, no qual o adivinho colocou dez pequenas varas (originalmente, pássaros ou morcegos ossos foram usados). Os pauzinhos, chamados nyma gbekre (literalmente, "os olhos dos ratos"), são revestidas com farinha e anexado em uma extremidade com a fibra da casca de uma tartaruga de terra.
Ngombo Galukoji
É um oráculo da tribo Pende. Instrumento de adivinhação congolesa.
Confeccionado em Madeira, bambu, penas, fibras, pedras, sementes arbrus, pós.
Medidas; 39,4 x 96,5 centímetros (15 1 / 2 x 38 polegadas).
Para o Nkobo, outras divindades podem também fazer parte do sistema adivinhatório e mesmo as regentes, dependendo de como foi confeccionado. Exemplo; Mukumbi nem sempre é a divindade oracular, mas ela também é muito difundida e usada na confecção do oráculo.
Este método de adivinhação consiste em um sistema aberto analógico em que o uso é feito de um conjunto variado de figuras ( L: atupeel, atupeedi ) e substâncias de origem animal e vegetal ( maamp ngoomb MA ). 
Apesar de ser a maioria os homens a titularidade de advinho dos oráculos Bantu. A mulher tem seu papel nos 'Bayaka'. 
Vititi Mboko: É pouquíssimo conhecido na América este sistema oracular por ter um caráter complicadíssimo, dado que seu ritual de fundamento não se transmitiu aos novos iniciados e que consta de um cesto com uns 70 utensílios como ossículos de animais, sementes, cawris, estatuetas em miniaturas, etc...
Vititi Chamalongo: Oráculo conhecido também como ‘bianguê’ e ‘kesu’ onde são usados 4 pequenas conchas que tem em suas parte convexas e umas pequenas manchas.
Vititi Kunda: Método oracular pouco usado dos advinhos Bakongos. De onde se usa um pequeno instrumento musical de nome ‘kunda’. O antropólogo Wyatt McCaffrey que o nome kunda está relacionado com o verbo ‘saudar ou homenagear’ e que parece se referir aos espíritos como papel mediador. Não leva espelhos e sinos em sua composição.
Vititi Nkobo: Outro sistema advinhatório Bantu também conhecido como: Vititi Nkobo, Sandu,
Kumulenga, xabalão, kanomputo e Ndungi.
 Sistema de advinhação: Os elementos são caroços de dendezeiro, sementes, folhas, ossos, cawris e vários elementos côncavos que representam um olho de Katendê.
Se recita o kuboka ua nkobo antes de iniciar o jogo fazendo 3 libações de água a Mavambu. São pedaços de caroços de dendezeiro partidos ao meio lembrando um olho ao qual o patrono deste jogo é Katendê. Se lavam em ervas em flor de laranjeira, folhas de algodeiro, salvia, folhas de orô, hortelã, folhas de guiné, manteiga de cacau (ori), babosa e os sacrifícios correspondentes como 2 pombas, deixando por 4 dias os caroços e os 2 cascos de tartarugas pequenos, assim como também o restante do material envolvidos em morin branco. As águas usadas são de rio e chuva de primavera. Pode ser jogado numa esteira no chão ou num tabuleiro medindo 3,5 cm e diâmetro de aproximadamente 50cm. Nos 4 lados se talha um simbolismo representando os 4 mundos principais. 
Cada caída tem um significado numérico que correspondem a divindade regente. Esse significado numérico conhecido por ‘letras’
Se pergunta aos mortos e aos jinkisi aonde se deve levar as oferendas e se estão satisfeitos com o sacrifício oferecido. O sistema se vê com cinco palavras nada mais.
Se fecha a mão esquerda com os materiais advinhatórios e com a mão direita se toca a terra 3 vezes rezando o Kuboka ua Nkobo.
Se mentaliza o nome do Nkisi ao qual deseja perguntar.
Para conhecer as caídas se deve saber como estas caídas estão sendo para direita ou esquerda do chifre do bode ou antílope postos ao centro representando o infinito.
Se sabes na direita o números de Nkobo que cai em branco e na esquerda.
Quando os olhos caem virados os quatros para cima significam paz e positividade na questão respondendo Lembá e Nzaze.
Quando 3 olhos caem virados para cima e somente um para baixo, responde duvidoso e se a pergunta se repete e cai a mesma jogada, confirma ser duvidoso a questão. Respondem Mukumbi, Mikaiá, Nzaze e Mukongo Mbila.
Quando 2 olhos caem para cima e 2 para baixo responde a confirmação de Lembá para a questão em definitivo.
Quando 3 olhos caem fechado e apenas 1 aberto virado para cima responde desgraça e mau algouro. Os mortos respondem e também Matamba, Mavambu, Nsumbu, Nzingalubondoo, Nzaze e Kiangu. 
Quando os 4 olhos caem fechados para baixo responde intervenção judicial, desgraça e morte.
Se retorna a perguntar e se repetir o jogo a resposta é drástica tendo então que acender uma vela branca para os mortos e refrescá-los com água. Respondem Nzaze e Matamba. 
Se jogam duas vezes para saber a direção que se dá ao jogo. Se é direita ou esquerda.
Quando caem em linha todos abertos significam um bom caminho, mesmo sendo direita ou esquerda.
Se cai um aberto e outro fechado por cima significa que a mulher tem mais de um homem.
Duas caídas abertas uma sobre a outra significa uma amizade entre duas mulheres. 
Três ou quatro ‘nkobo’ na mesma posição significam homens que andam juntos e se pergunta que tipo de amizade os une.
Um nkobo aberto emcima de outro; mulheres. Se dois caem fechado um sobre o outro é briga de homens. 
O de cima quer vencer o que está abaixo. 
Se três caem abertos um sobre o outro significa relação entre mulheres e se caem fechados relação entre os homens e debilidade de caráter. o nkobo que estiver ao centro significa o pior e poderá ser processado pela justiça. Nesse caso se pergunta novamente. 
Antes de recitar o kuboka ua nkobo, recitar a Nkukualunga
Nkukualunga tata kamuenhú monhi 2x
Ngana ia dilenga monhi
Nkukualunga ia dilenga monhi 
Kuboka ua Vititi Nkobo :
Vititi Nkobo kupesa nsambu na mono, Vititi Nkobo mu Kuzola Kumonaka
Akilelenu kuene iambote (Que a luz seja boa)
Auhaxi kuene kutululuka (Que doença seja calma)
Amavambu kuene kutululuka iambote (Que mensageiro seja calmo e bom).
Nzambi ua kuatesá (Casa de Deus com fartura)
Nzambi ivua o kiriondo kiami (Deus escuta a minha súplica)
Akiami nzo ki kizangu (Que minha casa não entre trajédia)
Mbe Kana kala Fua (Que não haja morte)
Mbe Kana kala kulandulula kua manhinga (Que não haja derramamento de sangue )
Mbe Kana kala makutexi (Que não haja perdas)
Mbe he tena kudikoloxa niukexilu (Que se possa enxergar com clareza)
Mbe Kana Kuata mauhaxi nzo (Que não tenhamos doente na casa)
Mbe Kana kuata mulonga nzo (Que não tenhamos desavenças na casa)
Mbe Katende ngi nzela kudikoloxa ni e Tala (Que Katendê me permita enxergar com seu olho) 
Kondos regentes:
01 Yosi
02 Yole
03 Itatu
04 Iya
05 Ifanu
06 Isabami
07 Isaboarê
08 Inana
09 Ifwa
10 Kumi
11 Kumi Yosi
12 Kumi Yole
13 Kumitatu
14 Kumi Iya
15 Kumi Ifanu
16 Kumi asabami
17 Kumi Inana
18 Kumi Inana
19 Kumi fwá
20 Yole kumi
21 Yole kumi yosi
OBS: Para sacerdotes que estão dentro do culto de origem Bantu poderá ser feito a iniciação para o oráculo NKOBO.
* O período de preparação para a montagem, fundamentação e execução até o momento de se poder jogar ao consulente é de 9 meses.
* Todos os animais necessários e utensílios para o oráculo são de responsabilidade do sacerdote que deseja obter este sistema adivinhatório.
* Não é iniciado a este sistema oracular para sacerdotes de outras culturas que não seja de origem BANTU.

* Neste sistema oracular, é essencial que o sacerdote tenha o assentamento de Katendê.

APAXORÔ

O apaşorö Apa= cajado
Şorö = o mesmo que o xaoro( fazbarulho)
O aparşorö representa a chuva.
O apaşorö assim como o Alá é o mistério de Obátálaá.
O apaşorö feito do cipó de uma planta chamada glyphaca lateriflora abraham, conhecido popularmente como atori ou feito também de metal prateado .
O apaşorö tem correntes e quando Obàtálá  bate apaşorö no chão  e bate as correntes.
As correntes representam os  ancestrais e quando as correntes batem Obátálaá está reverenciando e invocando os ancestrais.


Texto : Lekeleke Adms

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

HISTÓRIA E CULTURA NKANGA


RITOS DE ANGOLA
'Nosso objetivo precípuo é facilitar o intercâmbio de informação, democratizando o conhecimento e possibilitando o debate em torno da tradição afro-bantu, bem como vislumbrar a integração das comunidades de origem africana, porém, sempre respeitando símbolos, mitos e tradições, traduzindo as experiências mais fundamentais da existência humana e da concepção cosmogênica de mundo'


História e Cultura: Nkanda
Traduzido por Mam’etu Ndanda Dalu(*)
 

Yaka, Zombo, Nkanuos Zombo, Nkanu e Yaka vivem ‘fechados’ entre eles na altura das montanhas do Sudoeste do Congo e Nordeste do Angola
A divindade suprema, Nzambi Mpungu, é como o ápice da religião de Congo. Nessa hierarquia inclui-se os espíritos dos ancestrais(Bakulu), espíritos de pessoas que tenham habitado o lugar (bankita, bisimbi, matebo) e forças impessoais(minkisi).

Dentro das comunidades, ‘curadores’ naturais, adivinhos(que descobrem água debaixo da terra) e feitiçeiros, usam objetos ‘mortos’ do poder para manipular poderes metafísicos de outros objetos e restaurar a saúde de seus companheiros.

O Nkanda é um ritual importante. Um rito de passagem obrigatória para todo garoto adolescente, o nkanda os prepara psicologicamente e mentalmente para às ‘questões’ que o esperam na vida adulta em sua comunidade. A iniciação inclui o ensinamento de dons, enigmas, canções e dança, tal como uma congregação de ética e aceitamento do seu povo.


Todas as máscaras no Nkanda são usadas durante um ritual de encerramento. Elas asseguram sem problemas a fase crucial, durante a qual os garotos são ‘esquecidos’ pela comunidade, e depois ritualmente renascidos. As máscaras são geralmente entalhadas levemente em madeira clara e seu acabamento é colorido.O nome ‘Kisokolo’ pode ser ligado aos Chokwe pela palavra ‘chisokolu’, uma ramificação de grupo de caçadores com destaque para a ligação com amuletos. O nariz ‘pontudo’ nas máscaras desse tipo é frequentemente tratado como um símbolo do órgão sexual masculino. Ele pode ter um uso funcional. Os iniciantes têm que morder um pedaço de pão de mandioca e carne de bode que vem do ‘nariz’ dessa máscara, que é feita para esse propósito. A parte escura que aparece na testa, na bochecha e termina na área do nariz representa o conhecimento em escarificação (ato de fazer incisões, abrir a terra) pelo Nkanu, o qual provavelmente também está entre a comunidade.
A máscara tem a face “esbranquiçada” com um ‘pedaço’ escuro e chifres, os quais são representados por ‘armas’ levantadas de um dançarino expressando sua alegria. A parte da pele de lontra (mfuki) fica entre os chifres representando a cor ou o desenho.
A face branca e as linhas abaixo dos olhos são um sinal do tradicionalismo do clã e poder do líder. Ambos são significados para proteger o líder quando ele entra em contato com os ancestrais.

Povo de Zombo


Essa máscara grosseira de madeira é conhecida entre os Zombo como ‘Nkoso’ e entre Nkanu como ‘Kamatzala’. ‘Kamatzala’ pode ser traduzida como ‘Senhor das Penas’. Essa máscara é feita através de uma abóbora pardida ao meio, talvez cortada com um fio de barbante. Os olhos são feitos dos pedaços da abóbora e as penas são inseridas nas filas de barbante que ficam dentro dela. Essa máscara é usada por um iniciado idoso, sua tarefa é acompanhar os iniciados quando eles deixam o campo do Nkanda para ir ao rio ou à aldeia roubar comida. Como um pássaro, esse tipo de máscara significa a capacidade de cruzar fronteiras (vilas, aldeias, savanas e florestas).

Máscara Hemba


Essa máscara ‘HEMBA’ foi achada no Zombo e combina com um capacete em cima da cabeça do dançarino. O penteado em formato de planta é aparentemente comum nos estilos de corte de cabelo no Zombo, é também achado na escultura de madeira dos Nkanu, Mbeko, Ntandu, Lula, Yaka, Teke e grupos relatados.


(*) Barbara Barretto é graduada em Ciência da Computação, iniciada por Jiboin d’Nzambi e hoje pertence ao Terreiro Tumbalê Junçara, digirido por Tata Talamonakô.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

COMÉRCIO DE NEGROS


HISTÓRIA E CULTURA BANTU
Ritos de Angola

História e Cultura: O Comércio dos Negros
Colaboração de Kwzola dya Nzambi 
– revisado por Mam’etu  Nibojí 
Os negros eram vendidos por seus sobás (chefes de tribos africanas) aos portugueses, e trazidos para o Brasil, principalmente para as regiões de Pernambuco e Bahia, até meados do séc. XVII; e no inicio do século XVIII seus maiores compradores passaram a ser o Rio de Janeiro e Salvador, e ainda neste mesmo século foram introduzidos nas regiões cafeeiras do Pará e do Maranhão e logo para o sul do Brasil; muitos destes deslocamentos eram feitos a pé, de um estado para o outro.
O grupo mais importante introduzido no Brasil foi o sudanês, que dos mercados de salvador, se espalhou pelo país, deste grupo a etnia mais notável foram os yorubás ou nagôs, da Nigéria, e os Jêjes do Daomé, seguindo-se os minas da costa norte-guineana, além dos tapás, bornus, galinhas, hauças, fulas ou fulanis e os malês ou mandingas. Esta presença comum dos grupos de idioma yorubá explica a maior influencia desta cultura principalmente nos segmentos religiosos. Dentro da própria África, a cultura yorubá predominava do Golfo da Guiné ao Sudão; tinham uma civilização adiantada, os costumes sociais, a organização política e a religião serviam de modelo a muitos outros povos. Os yorubás dominavam bem a agricultura, aliás, boa parte do que sabemos sobre agricultura tropical e sobre o pastoreio extensivo do gado, devemos ao povo africano, que dominava também a lida com o ferro e a produção de um aço de alta qualidade, o artesanato em cobre, madeira e as técnicas de mineração do ouro. É preciso saber que, antes da descoberta do ouro no Peru, no México e no Brasil, sobretudo o grosso do ouro que alimentava o sistema financeiro Europeu, Árabe e Islâmico vinha da África, principalmente de Burê, Bambuc, do País Ashanti, Sofala e Zimbábue, a África era o grande centro produtor de ouro.
Os bantos de Angola tinham técnicas mais primitivas de agricultura praticadas por mulheres, e os homens criavam gado, e se vestiam com cascas de árvores, já na parte sudoeste, usavam vestimentas de couro e mantinham hábitos de caçadores e usavam armas de ferro; banto é uma família lingüística, ao qual faziam parte, também, os negros do Congo, Guiné e Moçambique; também faziam parte deste grupo os cabindas, benguelas, macuias e angicos. Por não terem nações identificadas e serem misturados de maneira aleatória, os bantos tiveram dificuldades de se integrar culturalmente. Alguns, escravos selecionados pelos senhores de terra, desempenhavam tarefas domésticas, e deste contato próximo, no interior da casa-grande, entre negros bantos e a elite branca que começou a se formar o sincretismo de raças, culturas e idiomas. Muitos hábitos, costumes, linguagem e alimentos do Brasil contemporâneo origina-se na cultura banto.
O negro não apenas povoou o Brasil, mas também contribuiu com o crescimento econômico, com as diversas matrizes culturais que serviram como fonte de desenvolvimento para o nosso país. Em 1830 se faz a proibição do tráfico de escravos no Brasil, porém esta proibição só pega em 1850, e a partir de 1852, não desembarcam mais escravos no Brasil; o último navio negreiro vindo para o país é uma corveta americana que é aprisionada em águas brasileiras; e aí começa haver um tráfico interno no Brasil, os negros começam a serem vendidos para o sul do país, para serem mão de obra na plantação de café; então há um relativo esvaziamento da escravatura no norte e uma grande marcha em direção ao sul; este foi um tráfico pouco estudado, mas extremamente feroz, violento, difícil.
O número de africanos introduzidos no Brasil durante o período superior a três séculos, em que houve a realização do tráfico, estima-se um total de 6.700.000 entrados no Brasil do séc. XVI ao XIX. De uma forma geral o negro era muito mal tratado, as senzalas eram constituídas Por uma serie de barracões, pequenos e abafados, com uma só porta e sem janelas, com chão de terra batida, que servia de lugar para dormir; a alimentação era racionada e geralmente eram servidos de feijão, farinha de mandioca e um pedaço de carne seca. Qualquer erro era cobrado com os mais severos castigos, desde a palmatória às chicotadas, que deixavam as costas e nádegas dos negros em carne viva, e ainda colocavam, nas feridas, montes de sal para que a dor se prolongasse por dias, para não ser esquecido o castigo recebido. Por esses motivos e muito mais, logo no inicio do século XVII, cerca de quarenta escravos fugitivos dos engenhos de Pernambuco, chegaram à serra da Barriga. Uma região de solo fértil, com extensas palmeiras; seus novos habitantes por isso deram o nome ao lugar de Palmares. A população dos Palmares, inicialmente era composta de escravos masculinos. Com o decorrer do tempo a aldeia começou a crescer; já havia criação de animais, lavraram-se campos, plantaram milho, feijão e mandioca, que passou a constituir a sua alimentação, além da criação de aves e porcos.
Com o crescimento da aldeia, já com a presença das mulheres, Palmares se transformou no quilombo mais importante da história da escravidão no país. As aldeias eram distanciadas umas das outras, tinham vidas independente, com chefes próprios, a principio estes chefes haviam pertencido à nobreza na África. Seus principais lideres foram Ganga Zuma e Ganga Zona, chefes das aldeias mais importantes, eram tios daquele que mais tarde se tornou o maior chefe dos Palmares, o negro guerreiro chamado Zumbi.
Várias expedições foram organizadas, durante anos, contra Palmares, todas sem sucesso. Palmares torna-se o centro de resistência contra a escravatura, em pleno séc. XVII, os negros eram considerados livres neste local. Outras expedições foram organizadas contra Palmares, e aos poucos iam enfraquecendo os quilombos, mas, apesar de já estarem com menos poder, os negros, chefiados por Zumbi, continuam a fazer frente aos ataques inimigos.
Finalmente em seis de fevereiro de 1694, ajudados pelos canhões, os soldados abriram caminho, encurralando os negros contra um precipício. Mesmo ferido Zumbi consegue fugir e só foi aprisionado quase dois anos depois quando um negro, preso no caminho de Recife, em troca da vida, indicou o lugar onde o líder Zumbi estava. No dia vinte de novembro de 1695, Zumbi foi morto, teve sua cabeça decepada, e levada para Recife, por seu algoz, André furtado de Mendonça. O quilombo dos Palmares, embora tenha sido o mais importante, não foi o único; no séc. XVIII, formaram-se quilombos no Maranhão, em Minas Gerais, às margens do rio das Mortes e em Araxá, todos destruídos. Em 1807, a Inglaterra aboliu seu tráfico de escravos, e passou a reprimir o tráfico de outros países, inclusive Portugal. Para reconhecer a independência do Brasil à coroa inglesa exigiu o fim do comércio de escravos, e o Brasil assinou um acordo em 1827, comprometendo-se a acabar com o tráfico de escravos, mas esse acordo não foi cumprido, e o tráfico continuou até 1850. O movimento abolicionista foi crescendo e depois de várias leis paliativas, finalmente foi promulgada a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.


(*) Rosário Fernandes é formada em naturalismo e medicinas orientais pelo Stonebridge Associated Colleges da Inglaterra, pesquisadora de medicinas tradicionais antigas, atuante na área de medicinas complementares.

(**) Elizabeth B.Azevedo é graduada em Ciências Econômicas e pós-graduada em Matemática Financeira. Iniciada no candomblé em 1986, filha de Danguesu, neta de Saralandu, bisneta de Kianvulu e atualmente filha do Tumbalê Junçara-BA.



HUNKPAME


Hunkpame é um templo ou convento dedicado ao culto vodun. Hunkpame significa, literalmente, o lugar onde está dentro a divindade (hun). É chefiado por um sacerdote ou sacerdotisa-chefe residente à frente de uma quantidade de auxiliares fixos que aumentam nas ocasiões de culto e iniciações. Os neófitos chegam a viver quase um ano no hunkpame até que atinjam a condição de vodunsis e suas respectivas famílias os venham resgatar simbolicamente.

Dentro do Hunkpame se fala uma ou mais línguas sagradas especiais, o hungbê, que variam de acordo com o vodun principal que é ali cultuado. O hungbê se compõe do próprio fon e seus dialetos mesclado com idiomas vizinhos como o guen (mina), o nagô (iorubá), baribá, etc. e existe um grande tabu em se expressar em hungbê fora do hunkpame.

O espaço sagrado, este grande sítio, ou grande fazenda onde fica o Kwe chama-se Hunkpame, que quer dizer "fazenda" na língua Ewe-Fon. Sendo assim, a casa chama-se Kwe e o local onde fica situado o candomblé, Hunkpame.

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